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Globo dirá se estamos nos trilhos

Por André Bento.*

Pouco mais de um ano após o tumultuado setembro que expôs Dourados aos olhos da Nação, e novamente teremos a questionável honra de recebermos a grande imprensa do País em nossa terra. A segunda maior cidade do Mato Grosso do Sul volta ao noticiário nacional por meios tortuosos e, sobretudo, vergonhosos.

A visita que uma equipe da Rede Globo de Televisão nos faz nesta quinta-feira nada tem a ver com o suposto desenvolvimento econômico de nosso município. Tampouco com a possibilidade de novos empreendimentos do setor sucroalcooleiro em nossa região. Infelizmente, embora haja quem diga que estamos nos trilhos, nossa terra dourada tem sobre si os olhos de uma imprensa que vê algo de errado.

No início desta tranquila semana, o Ministério Público Federal trouxe à tona o descaso com a saúde indígena. Os procuradores federais vistoriaram os postos de saúde da Reserva Indígena – onde vivem mais de dez mil índios – e constataram que a situação é degradante. E o que chama a atenção é que isso ocorre em um município que recebeu, entre 2009 e 2011, R$ 1,8 milhão do governo federal para sanar justamente as mazelas desta área.

Como o órgão federal achou estranho um setor gratificado com tais repasses enfrentar tamanho problema, exigiu da prefeitura uma explicação. Para isso, estabeleceu prazo de 48 horas. Contudo, decretado ponto facultativo – creio que será esse o argumento -, nossos gestores municipais não puderam cumprir o que fora estipulado pelo MPF. Resultado: a Rede Globo mandou uma equipe para tentar descobrir o que se passa.

Embora os recursos mal aplicados – se é que foram aplicados – tenham começado a pingar nos cofres públicos municipais em 2009, durante a gestão Artuzi, até ontem, dia 12 de outubro de 2011, os postos de saúde indígena continuavam em situação de absoluto abandono. E isso se torna ainda mais curioso quando lembramos o primeiro ato do prefeito Murilo Zauith ao sentar-se na cadeira de chefe do Executivo: parou tudo para “fazer um inventário da coisa pública e ter maior controle sobre as ações da administração municipal”.

Fica difícil entender como a situação destes postos de saúde pode ter passado desapercebida em meio ao tal inventário promovido pelo atual prefeito. Afinal, neste período em que a máquina pública esteve inerte, outros problemas seguiram se agravando para que nada escapasse ao olhar atendo de nosso gestor. Ao que parece, nem prefeito e nem os 15 os partidos que se “uniram por Dourados” para recuperá-la se atentaram para a problemática situação dos indígenas.

Pelo que diz o Ministério Público, parece que o gigantesco grupo político que se uniu para reconstruir a cidade se esqueceu das aldeias indígenas. Ao menos nisso a omissão ficou evidente. Restará à administração municipal, torcer para que os globais voem o quanto antes para longe daqui, de preferência sem olhar para outros cantos da cidade. Afinal, pode ser até que haja algo mais a ser noticiado em rede nacional.

  *André Bento é estudante de jornalismo.

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