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A marcha contra a corrupção, Dirceu Gonçalves

A Marcha Contra a Corrupção, convocada para o feriado de 15 de novembro, não reuniu grandes multidões. Em São Paulo, apenas pouco mais de 200 pessoas compareceram à Avenida Paulista, que, meses atrás, recebeu 4 milhões para a Parada Gay e teve seu espaço considerado pequeno para abrigar os 5 milhões de evangélicos participantes da “Marcha para Jesus” que, este ano, foi deslocada para a Zona Norte da cidade. Em Brasília foram apenas 30 manifestantes, 150 em Curitiba, 500 em Belo Horizonte e números considerados modestos em dezenas de outras localidades. Espera-se que o movimento esteja apenas no começo e que o mau tempo tenha sido um dos responsáveis pelo baixo comparecimento.

A corrupção é a mãe de todos os males que atingem a sociedade. Na sua esteira reside o desvio de finalidade dos recursos que deveriam ser aplicados na Saúde, Educação, Moradia, Segurança Pública, Assistência Social e uma série de outros serviços e direitos do povo. Sua ação pode ser comparada a uma bola de neve que, ao descer a encosta, avoluma-se e vai provocando danos, muitos deles irreparáveis. O jovem que não teve oportunidade de educação é irremediavelmente comprometido e, muitas vezes, cai na criminalidade, frustrando toda a sua descendência. O morto prematuro pela falta de assistência à saúde é um grande prejuízo à sociedade. Os esquemas de propina, desvios e impunidade são os realimentadores da praga e da desgraça social.

Integro uma geração que viu o final da democracia estabelecida em 1946, os chamados anos de chumbo e participou do movimento de redemocratização do país dos anos 70 e 80 e suas conseqüências que vigoram até hoje. A democracia plena foi conseguida, mas ainda estamos longe da sociedade sonhada e pregada como artigo de consumo pelos ativistas das últimas três décadas. Ainda não conseguimos fixar a moral administrativa e nem a justa distribuição de renda. Somos um país rico, mas com muita gente pobre, apesar de toda a festa oficial que hoje se faz pelos recentes avanços econômico-sociais.

O monstro da corrupção é o inibidor do novo Brasil. É preciso que as forças organizadas que lutaram – e conseguiram – a democracia, também se interessem em acabar com a corrupção. Se o próprio Governo e entidades como a UNE, CUT, PT, OAB e tantas outras que tantos serviços já prestaram à sociedade se mobilizarem sinceramente para acabar com a corrupção, ela um dia acabará. Nesse grupo poderão também se incluir os carapintadas, os movimentos religiosos, étnicos e até as minorias.

A corrupção é o inimigo comum. No dia em que toda a sociedade contra ela se mobilizar, ficará mais fácil conseguirmos o sonhado pais digno, justo e solidário…

*Tenente Dirceu Cardoso Gonçalves – dirigente da ASPOMIL (Associação de Assist. Social dos Policiais Militares de São Paulo) aspomilpm@terra.com.br    

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