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A canção dos desrespeitados

Por João Gustavo*

e Wender Carbonari**

 

Um dia desses estava eu escutando uma canção de uma grande banda sul-mato-grossense, o Bando do Velho Jack. Grupo este que é referência quando falamos em rock no Estado, mas, infelizmente, não é reconhecida da forma devida. Isso, acredito eu, em razão da mentalidade modista da região ou quiça de todo o país, porém, não é exatamente sobre essa questão que o texto vem discorrer. Apenas vou usar a mensagem de uma música desse Bando para introduzir meu raciocínio.

Pois bem, ao ouvir a canção “Como Ser Feliz Ganhando Pouco” me veio à mente os velhos tempos de som na noite, triste a realidade que às vezes até nos desanimava, mas “éramos felizes e não sabíamos”  mesmo diante as tamanhas precariedades. Como bem diz a letra da música, “a faca entra no peito em forma de canção” e o desejo de estar em contato com arte e poder transmiti-la, ainda que de forma singela, era muito mais gratificante do que as “migalhas” que se ganhava.

Contudo, não vivíamos apenas de música. Ela nos alimentava a alma, todavia, precisamos de grana, como qualquer outro sujeito. Infelizmente, não nos era atribuído o que era carecido e muitas das vezes nem éramos retribuídos. Hoje vejo que nada mudou e a história se repete com todos que entram nesta área. O músico nunca é visto como um profissional. A grande massa vê um guitarrista trabalhando como uma criança que se diverte com seu brinquedo. Tudo bem, é divertido, mas passou da hora dos músicos deixarem de serem vistos como crianças.

Algumas pessoas usam o argumento de que aquele artista, por não ser “famoso” e estar tocando em barzinhos, deveria ter outro meio de sobrevivência, visto que aquilo é mera diversão. A “autoinsuficiência” da cidade neste sentido é tão vasta, que nem mesmo quando o poder público promove oportunidades em promoção da cultura local, o artista é recompensado pelo que está fazendo. É viável a ideia de que nós, deveríamos abrir nossos olhos e quebrar esse paradigma, pois o exercício da arte, como qualquer outra atividade profissional, requer muito estudo e dedicação. Os caras também precisam COMER, não sobrevivem de vento e são obrigados a pagar impostos igual a qualquer outro cidadão.

* Estudante de Direito.

** Estudante de Comunicação Social com habilitação em jornalismo.

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