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Para cada carro, um leito em hospital, prefeito?

Por André Bento

Seguro de que Dourados hoje faz jus ao trecho do hino em que é apontado como “lindo Oásis do Brasil”, o prefeito Murilo Zauith (PSB) decidiu dar corpo a um novo devaneio. Encaminhou na sexta-feira um Projeto de Lei à Câmara de Vereadores que prevê o plantio de uma árvore para cada carro 0 km vendido pelas concessionárias locais. (http://www.dourados.ms.gov.br/Default.aspx?tabid=57&ItemId=23249)

 

A iniciativa é ecologicamente louvável e seria digna de aplausos se o município efetivamente fosse um “recanto que oferece calma, repouso”, conforme definição do Dicionário Aurélio para a palavra Oásis. Como o termo só se aplica a Dourados enquanto letra do hino, seria mais proveitoso uma lei que estabelecesse a criação de um novo leito em hospital para cada veículo comercializado, por exemplo.

 

Uma proposta que impactasse positivamente na Saúde Pública seria bem mais útil. Especialmente pela crise vivida pelo setor no município. A falta de leitos nos dois hospitais (da Vida e Universitário) que atendem pelo SUS (Sistema Único de Saúde) na cidade é um problema recorrente. Embora a administração municipal tenha penalizado as duas unidades por terem deixado de prestar serviços contratualizados, a falta de recursos e sua má aplicação por parte do Executivo agravam a situação, segundo avaliação do próprio Conselho Municipal de Saúde.

Foto: Wender Carbonari / Arquivo

Foto: Wender Carbonari / Arquivo

Sob o argumento da compensação ambiental, Zauith indica a venda de 500 veículos por mês na cidade, o que, segundo ele, exige o plantio de novas árvores para o “sequestro de dióxido de carbono” emitido pelos veículos automotores. Mas o prefeito não levou em consideração o fato de o município já ser o 27º mais arborizado do Estado e 590º do país, conforme o Censo do Entorno 2010 elaborado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

 

De acordo com o Censo, Dourados tem 96,9% de seus domicílios “com árvore por perto”. Isso nem chega a ser novidade para quem reside ou passa rapidamente pelo município. No entanto, além de desconsiderar esse fato, o prefeito parece não se lembrar que engavetou, ainda em 2012, o Plano Diretor de Arborização, um trabalho desenvolvido por especialistas ligados à UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) e que promoveu o inventário arbóreo da cidade.

 

Ao invés de encaminhar o Plano para o Legislativo e transforma-lo em lei, o que daria ao município condições de controlar suas árvores – muitas das quais caem a cada nova chuva e provocam danos por simples falta de atenção do poder público -, o prefeito insiste em querer inventar a roda. Propõe o novo por pura festividade. Meios para compensar a emissão de gases poluentes Dourados têm, embora sejam ignorados pela administração pública. Por que então, não propor um novo leito em hospital para cada carro vendido, prefeito?

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