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Sobre a memória

Nesse sentido, a memória só é memória no esquecimento ou no segredo, pois quando acionada (ou seja, lembrada) também se torna discurso. Pelo mesmo raciocínio, a memória não substitui o passado, apenas mostra que ele falta. Mas o biógrafo (ou historiador) tradicional acha que vai preencher as lacunas. Ledo engano. A história de qualquer coisa é apenas o que podemos saber sobre esta coisa, jamais a totalidade. A lacuna é onipresente. O passado não está pronto. Ele ainda está por fazer, e articula-se no presente, na presença (ou simultaneidade), onde elaboramos a memória e a transformamos em discurso. Mais uma vez trabalhando no paradoxo. Derrida articula o conceito de presença com o de ausência, valorizando a escrita, que, quando lida por alguém, produzirá uma marca para ser repetida em qualquer contexto, sobrevivendo ao autor sem precisar mais de sua presença. A escrita funda outra presença e garante a repetição.  – Felipe Pena, jornalista, romancista e doutor em Literatura pela PUC-Rio, com pós-doutorado pela Universidade de Paris.

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