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Os novos tempos da UFGD (Livre)

Por Wender Carbonari*

Na segunda-feira passada (19/10), os estudantes matriculados na UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados) retornaram às aulas após quatro meses de greve dos professores e técnicos-administrativos da Universidade. No campus, os blocos continuam nos mesmos lugares, cada tijolo, cada árvore e cada banco. Mesmo assim, a UFGD parece diferente do que era há alguns meses e pouco ou nada disso tem qualquer relação com a maior greve enfrentada nesta curta história da Federal douradense.

Foto: Franz Mendes

Foto: Franz Mendes

Faço questão de recordar que, pouco antes do início da greve, em maio deste ano, tomaram posse da reitoria os representantes do “Movimento UFGD Livre”, vencendo as eleições com argumentos sustentados na base de clichês em favor da despolitização do ensino e com apoio de setores da sociedade que compartilham das mesmas opiniões carregadas de intenções que não foram colocadas em evidência.

Mas eis que a nova gestão começa a “mostrar cara” por meio de suas primeiras ações envolvendo os alunos da Universidade. Estes não podem mais permanecer no interior das salas quando não estiverem em aula. A ordem – imposta de cima para baixo e informada através de folhas A4 coladas nas portas – é que as salas fiquem trancadas e com aparelhos de ar-condicionado desligados para evitar que os alunos danifiquem os objetos. Uma das primeiras ações da gestão do grupo que exaltava a “liberdade” enquanto característica principal, vem para justamente privar os alunos desta condição.

Tem mais. As mudanças na forma de organização do ENEPEX (Encontro de Ensino Pesquisa e Extensão) não parecem levar em consideração as condições financeiras dos estudantes. Neste ano, quem optou por participar do evento foi obrigado a pagar uma taxa de 20 reais. Ainda assim, o pior estava por vir. Ao contrário do que ocorreu no ano passado, a imensa maioria dos participantes não puderam apresentar seus trabalhos oralmente, sendo todos encaminhados para uma “apresentação de banners” que acontecerá amanhã (22/10).

O resultado disso é que os estudantes acabam perdendo a oportunidade de viver a experiência de apresentar suas pesquisas em um evento oficial, ao mesmo que força a impressão massiva de banners que poucas pessoas vão ler, quase nada vai acrescentar em questão de experiência acadêmica, mas que deve elevar o lucro de algumas gráficas da cidade.

Vai vê que é essa a tônica da nova gestão. Veremos.

*Aluno do Curso de Ciências Sociais da UFGD/Jornalista

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  1. outubro 22, 2015 às 11:15 am

    Sem falar do Mujica! rs

    • outubro 23, 2015 às 12:42 am

      fica frio, a esquadrilha sempre encontra outras pistas de pouso…

  2. outubro 22, 2015 às 7:56 pm

    Primeiramente, não se completou nem uma semana após o retorno das aulas!
    Eu, acadêmica do último ano do curso de matemática, NUNCA pude estar em sala fora do horário de aula, mesmo na direção anterior e quando ainda não existia o Centro de Convivência que agora está lá para ser utilizado. Além disso, todo e qualquer evento que participei durante minha vida acadêmica sempre foram pagos… Considero 20 reais um valor simbólico se comparado com outros eventos. Apresentações orais são melhores sim, mas geram mais gastos e estão condicionados ao número de trabalhos inscritos e estrutura disponível. Já vi mudanças assim em outros eventos. É até estranho falar disso, pois eventos geram gastos que devem ser arcados de alguma forma, ainda mais nesses tempos de crise. Respeito totalmente sua opinião, mas discordo e não considero esses argumentos válidos.

    • outubro 23, 2015 às 12:33 am

      Estudantes de cursos diurnos ficavam dentro das salas nos horários de almoço até pouco tempo. É mais confortável, é um espaço que é nosso, dos estudantes da Universidade, que deveria ter as portas abertas. Universidade não pode parecer presídio. Sobre o ENEPEX, eu também não compreendo seus argumentos: primeiro fala que todo evento, para funcionar bem, precisa ser pago um “valor simbólico de 20 reais” pois estes “geram gastos” (concordo com você até aqui), mas acha certo que reduzam a quase nada a quantidade de apresentações orais e encaminhem a imensa maioria (que também pagou 20 reais) para expor um banner em uma quadra poliesportiva. Contraditório. Sua posição me parece tão política quanto a minha, e destaco: NÃO espere “imparcialidade” ou “neutralidade” aqui no DeRolé. Penso que comunicadores sociais deveriam ser mais honestos com seu público nesse sentido. Mas obrigado pelo contraponto… e pode comentar, aqui não tem edição em comentário não, como em alguns sites por aí. Abraço, Annye krol!! – Por Wender Carbonari

      • outubro 23, 2015 às 1:18 am

        Meu curso é diurno, e concordo plenamente que é mais confortável estar em sala de aula… Mas vc tem de saber que isso não é de agora, e varia conforme a coordenação do prédio, e não maiores autoridades, para não culpar as pessoas erradas. Sobre ENEPEX, são só pontos de vista, sobre a difusão do conhecimento… Só tenho uma coisa a dizer: para pessoas interessadas isso independe de meios ou gastos! Todos os eventos que participei foram assim… Não tem nada de político em minha opinião. Só achei um pouco injusto o que disse. Ótimo expressar opinião embasadas em diversas facetas do mesmo conteúdo! A minha realidade é diferente da sua e não há razão discutirmos aqui… Parabéns pelo trabalho… Muito obrigada por abrir esse espaço para expressar opinião.

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